quarta-feira, 2 de novembro de 2022

DIA DE FINADOS 02 DE NOVEMBRO


O DIA DE FINADOS

A data do dia 2 de novembro remete a uma antiga tradição cristã oriunda no século XI, iniciada pelo abade Odilon, de Cluny, que viveu na França por volta do ano de 1030. O dia destinado à memória dos Fiéis defuntos tornou-se especial e difundido pela Igreja Católica com a intenção de homenagear os mortos, cabendo à Igreja viva ressignificar o sentido da vida que vence à morte. 

Apesar da data se popularizar no século XI, a tradição de se prestar culto à memória dos mortos é um costume bastante antigo, praticado durante o império romano — com os primeiros cristãos que temendo a perseguição religiosa, passaram a se reunir nas catacumbas, ao entorno das sepulturas dos mártires para prestarem seus cultos — já que os cemitérios eram lugares temidos pelos romanos, que acreditavam ser lugares habitados por espíritos imundos. 

Os cemitérios eram lugares onde os primeiros cristãos encontravam segurança para prestarem seus cultos de uma maneira discreta sem chamar atenção e os olhares de seus maiores interessados. Com a ressurreição de Jesus, os cristãos deixaram de lado as superstições pagãs e passaram a fazer desses lugares, o seu local sagrado de culto. 

Com o martírio de São Estevão [cf. At 7.54-60], e de Tiago, irmão de João [cf. At 12.1-2], os primeiros cristãos passaram a adotar o costume de honrar a memória de seus mártires. Dessa prática popular nasceu o costume de reunir-se nos locais onde descansam os restos mortais daqueles/as que deram sua vida por sua fé em Cristo Jesus. Junto às lápides dos mártires, a Igreja se reuniu para celebrar a liturgia da Palavra e da mesa (Ap. 7.9-17) [RAMOS, Luiz Carlos. Cristianismo Prático, Em Espírito e em Verdade: Curso prático de Liturgia. São Bernardo do Campo-SP. Editeo, p.p. 53].  

Nós, Metodistas, celebramos o tempo de finados para nos lembrar e honrar a memória de nossos entes queridos. É um dia de introspecção e descanso, dedicado a muita oração e consolo aos familiares que choram a dor pela separação e saudade. 

É um tempo especial porque muitos vão ao cemitério, junto às sepulturas dos seus familiares queridos que já partiram para a eternidade, respeitando suas memórias, suas histórias de vida e de origem familiar ancestral. 

Ao olharmos para uma sepultura, nos damos conta da realidade da morte, entendendo que ela não é o fim, mas o início de todas as coisas. A morte pode ser invisível aos nossos olhos humanos, mas não é invisível ao nosso coração. A morte se manifesta por meio de várias formas, porém, sempre estamos a lutar e a conviver com ela, sempre com aquela sensação de falta e de vazio existencial. 

A ressurreição de Jesus é a base da nossa fé cristã, pois é impossível viver a vida eterna sem antes passar pela morte. A essência da nossa vida está justamente na força do Deus dos vivos, que se faz esperança e renasce todos os dias no coração da humanidade. Essa é a força presente em cada um dos que com suas bocas professam a fé em Jesus, essa força presente em nós que nos faz renascer e ressuscitar em Cristo.

Aproveite o dia para agradecer a Deus pela vida daqueles que já se foram, pelo tempo que estiveram aqui entre nós, entendendo que a nossa história e ancestralidade é um presente que Deus nos permite viver e contá-la as novas gerações. 

Nos te louvamos e te bendizemos, Senhor, porque és o Deus da morte e vida!

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