domingo, 5 de junho de 2022

A FESTA DE PENTECOSTES, ANO C | 2022

[Imagem da Internet sem menção de autoria]

Solenidade de Pentecostes, Ano C | 2022.
Cor Litúrgica: Vermelho

Leituras Indicadas para o dia [Lecionário Cristão]

– A.T: Gén.11:1-9;
- Salmo: 104:24-34,35;
- Epístola: Atos 2:1-21;
- Evangelho: João 14:8-17;
- Domingo a tarde: João 16:1-11.

Em hebraico, espírito é ruah, e em grego, pneuma. Os dois termos estão ligados ao mesmo sentido, pois significam vento, sopro, furacão e vendaval. O Espírito Santo não é conscientizado como pessoa, mas como uma força divina e originária da obra da criação, pois, move-se através dos seres vivos e age no mais íntimo do homem. o ser-humano não pode viver sem respirar, sem o fôlego da vida. Neste mundo material e mecânico, é importante enfatizar a força e a presença do Espírito Santo em nossas vidas, como uma renovação do nosso espirito e da nossa vida. 

Para o povo de Deus, a Igreja de Cristo espalhada pela terra em sua diversidade histórica-cultural, o Pentecostes marca a data do nascimento da Igreja e sua vocação e missão no mundo. A Igreja deve ser sinal da graça manifesta do Deus que se fez homem e carne, habitando entre nós. Através dos sinais visíveis: a Igreja de Cristo os sacramentos e a proclamação da Palavra da salvadora. 

“Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava” [Atos 2. 1-4]

 Com a inspiração do Espírito Santo que foi narrada por São Lucas, em Atos dos Apóstolos [2.1-13], os discípulos que estavam trancados numa casa, temendo sofrer a perseguição, saem em missão. O Pentecostes tornou-se o símbolo do nascimento das igrejas cristãs, que se reúnem ao redor dos ensinamentos de Jesus. Com a presença viva do Espírito Santo, Deus se faz presente entre nós, e o Evangelho se torna para nós fonte de vida, pois, Cristo se faz presente e a Igreja dá sentido a essa trajetória da missão iniciada por Jesus de Nazaré. 

Segundo a pastora e docente da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, Profa. Margarida Ribeiro, Pentecostes é um tempo precioso para poder vivenciar e partilhar da unidade do povo de Deus: "Neste tempo de Pentecostes há muitas histórias para trazermos à nossa memória. Em meio à diversidade, destaco a unidade. Como dizia John Wesley: No essencial, Unidade, no não essencial, Liberdade, e em tudo, Amor."

 Que neste tempo precioso de Pentecostes,  possamos buscar viver e testemunhar o amor de Deus com nossos irmãos e irmãs de outras denominações e seguimentos religiosos diferentes, afim de promover: comunhão, partilha, valorização da vida e a paz entre todas as pessoas em sua ampla diversidade. 

Desejamos a todos/as um Feliz Dia de Pentecostes! Veni Sancte Spiritus! 

 [Arte Popular: Atos 2:4, por Rodrigo Falcone]

Para saber mais sobre Pentecostes: 

"História - Pentecostes é uma celebração muito importante do calendário cristão e comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. Tradicionalmente, o Pentecostes é celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa, e no décimo dia depois do dia da Ascensão. 
O termo Pentecostes é de origem grega e significa “cinquenta dias depois”. Celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e seguidores/as de Cristo, durante aquela celebração judaica do quinquagésimo dia em Jerusalém. Essa data também é considerada o dia do nascimento da igreja.

Juntamente com o Natal e a Páscoa, esta é a terceira data mais importante do Ano Litúrgico. No Novo Testamento, Pentecostes é o dia da vinda do Espírito Santo, da chegada de Cristo à Terra. O Pentecostes marca o final da festa Pascal, de acordo com a doutrina cristã.
No Antigo Testamento, o Pentecostes era celebrado tradicionalmente pelo povo hebraico como Shavuoth, que significa “Semanas”. Nessa época, o motivo dessa celebração era para agradecer a Deus pela colheita e lembrar do dia em que Moisés recebeu as Tábuas com as Leis Sagradas (Torah).

O pastor Rev. Luiz Carlos Ramos relembra a profecia de Joel no Antigo Testamento, em estudo publicado em seu site www.luizcarlosramos.net sobre Pentecostes. O profeta precisou fazer uma viagem de reconhecimento para ver a real situação de seu país. O que o profeta encontrou está relatado no primeiro capítulo do seu livro: “videiras secas (1.7); campos assolados, cereal destruído e olivais murchos (v. 10); colheitas de trigo e cevada perdidas (v. 11); árvores frutíferas secas (v. 12); sementes secas, silos roubados, armazéns demolidos (v. 17); gado gemendo, bois e ovelhas padecendo por falta de pasto (v. 18); pastagens consumidas pelo fogo (v.19); rios secos e estepes devoradas pelo fogo (v. 20)”.

Segundo o professor da Fateo, a palavra que melhor define a situação do povo é “precariedade: escassez de recursos, instabilidade econômica e psicológica, debilidade física e moral, etc. (…), Mais lamentável ainda é o fato de que parte dessa dominação se dava mediante o sacerdócio de Jerusalém, comprometido com o império persa. O povo tem que pagar altas taxas e lhe são cobrados pesados impostos. Este é só o primeiro estágio de uma crise que se agravaria ainda mais, pois, pouco a pouco, esse sistema tributarista vai cedendo lugar ao escravismo. À medida que os recursos escasseiam e que não se pode mais honrar os compromissos tributários, resta ao povo pagar com trabalho e seus próprios corpos”, relatou o professor enfatizando, ainda, que pior do que lidar com as crises é tentar fugir delas. “Joel desafia o seu povo a enfrentar essa situação ao apontar para o caminho que leva à ruptura com a crise e o desespero. O profeta mostra que a calamidade não é ponto final, mas ponto de partida para a reconquista da dignidade”.

Segundo o estudo, são quatro as “ferramentas” apontadas por Joel que devem ser usadas para confrontar a crise. Publicamos as quatro na íntegra e no final você confere o link do texto completo.

1.    A memória dos anciãos, que eram a liderança do povo (1.2-3): “Ouvi isto, vós, velhos, e escutai, todos os habitantes da terra: Aconteceu isto em vossos dias? Ou nos dias de vossos pais? Narrai isto a vossos filhos, e vossos filhos o façam a seus filhos, e os filhos destes, à outra geração.” Joel apela para aqueles que guardam a lembrança dos acontecimentos importantes da história do povo, pois são eles os portadores da memória de libertação. A crise começa a ser superada quando os mais velhos colocam a sua experiência a serviço da comunidade.

2.    A transformação do coração, isto é, a conversão interior e profunda que implica numa nova consciência da forma do relacionamento com Deus e com o próximo. “Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” (2.12-13). A superação da crise tem de ser superada por cada um de corpo e alma, com a emoção e com a inteligência.

3.    A celebração do Dia do Senhor, a respeito do qual o profeta faz coro com Amós, Sofonias, Abdias, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias e Ezequiel. Principalmente para Joel, o Dia do Senhor se refere ao castigo contra os pecados de Israel, mas que, havendo conversão, assume a forma de felicidade e de esperança. “Quem sabe se não se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, uma oferta de manjares e libação para o SENHOR, vosso Deus?” (2.14). Isso indica que há solução para a calamidade, a crise não tem a última palavra; “talvez”, “quem sabe”, Deus mude o castigo em bênção. A sorte do povo está nas mãos de Deus. O Dia do Senhor vem, na medida em que o povo de Deus caminha em sua direção.

4.    A plenitude do Espírito de Deus, pelo qual se manifesta a libertação sobre toda a comunidade. “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (2.28-32 ou 3.1-5). Antecipando o que haveria de acontecer no Pentecostes cristão (At 2, ver principalmente os vv. 16-21), Joel anuncia a presença permanente do Espírito sobre todo o povo de Deus, sem distinção de idade, sexo, raça ou condição social. Assim, todas as pessoas, plenas do Espírito de Deus, se tornam profetas que anunciam o evangelho, por meio de uma prática de resistência e de celebração da esperança.

Joel conclui sua profecia com o anúncio da restauração da sorte do povo de Deus: “Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém” (4.1), a precariedade dará lugar à abundância; o abandono, à presença constante de Javé como refúgio; as relações sociais injustas e excludentes serão substituídas por uma nova ordem onde “velhos e jovens”, “escravos e escravas”, “filhos e filhas” não mais serão discriminados, mas plenamente incluídos e respeitados."

Rev. José Geraldo Magalhães

Fonte: 

O estudo do pastor e professor Luiz Carlos Ramos: www.luizcarlosramos.net/pentecostes

  [Arte Popular de Rodrigo Falcone, inspirado no Tempo de Pentecostes 2022].


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